Amigos do blog. Não se trata de uma questão ideológica partidária, nem de ser a favor deste ou daquele, mas sim de responsabilidade com a minha própria consciência. Tenho lido muita denúncia que chega através de email contra ambas as candidaturas que agora estão iniciando a disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Por desconfiar da maioria dessas denúncias e mesmo porque este não é um blog político, resolvi não entrar no mérito das acusações e por isso não as divulguei. Esse assunto que trago hoje, todavia, trata-se de algo sério. Não é mais um dos vários emails que proliferam pela Internet contra a ministra Dilma Roussef. Trata-se de uma ampla matéria que o site G1 trouxe hoje sobre a questão da discriminalização do aborto. Já tinha ouvido falar mas não acreditava que isso realmente estivesse acontecendo. Hoje tenho a prova. Abaixo vocês vão ler o paralelo que o G1 faz entre a Dilma de ontem e a Dilma de hoje. Para mim basta, pois independente dela ser ou não uma mulher preparada para presidir o Brasil, não comungo com pessoas que trocam de opinião por conveniência. Isso para mim cheira falsidade, e eu abomino pessoas falsas. Na sequência o que diz o G1 sobre o que Dilma dizia sobre o aborto e o que diz agora, pressionada pelos marketeiros temerosos que sua campanha fracasse. Se vocês tiverem duvida, entrem no site oficial, cujo link está no fim da matéria, na página seguinte. ISSO TÁ CHEIRANDO A COLLOR DE MELO, QUE DIZIA UMA COISA E FEZ OUTRA.
Matéria do Site G1 - da Globo: Declarações de Dilma Roussef sobre o aborto
DILMA ROUSSEFF
Em 2007, quando ocupava o cargo de ministra-chefe da Casa Civil, Dilma afirmou em sabatina no jornal "Folha de S.Paulo" que era um “absurdo” que o Brasil não houvesse descriminalizado o aborto. Em maio de 2010, questionada pela revista "IstoÉ", defendeu o amparo do estado "para quem estiver em condições de fazer o aborto, ou querendo fazer o aborto ou precisando". Quatro meses depois, em debate promovido por televisões católicas, disse que não sabe se acha necessário ampliar os casos em que a lei já permite o aborto.
4 de outubro de 2007 - “Olha, eu acho que tem que haver a descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, isso é um absurdo que não haja a descriminalização.”
- Em sabatina à Folha de S. Paulo
Abril de 2009 - “Abortar não é fácil para mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos. Existem várias divisões no país por causa dessa confusão, entre o que é foro íntimo e o que é política pública. O presidente é um homem religioso e, mesmo assim, se recusa a tratar o aborto como uma questão que não seja de saúde pública. Como saúde pública, achamos que tem de ser praticado em condições de legalidade.”
- Revista Marie Claire
- Em sabatina à Folha de S. Paulo
Abril de 2009 - “Abortar não é fácil para mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos. Existem várias divisões no país por causa dessa confusão, entre o que é foro íntimo e o que é política pública. O presidente é um homem religioso e, mesmo assim, se recusa a tratar o aborto como uma questão que não seja de saúde pública. Como saúde pública, achamos que tem de ser praticado em condições de legalidade.”
- Revista Marie Claire
7 de maio de 2010 - “Eu duvido que alguma mulher (...) defenda e ache o aborto uma maravilha. O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói, além de doer, imagino que a pessoa saía de lá muito baqueada. Eu não tive de fazer aborto porque eu tive de, na vida eu tive um problema, depois que minha filha nasceu eu tive uma gravidez tubária. Então eu não podia ter filho. Antes disso, eu não cheguei nunca a engravidar, só uma vez que eu perdi o filho por razões normais. Tive uma hemorragia. (Jornalista pergunta: “Foi logo no ínício da gravidez?”) Foi logo no inicinho da gravidez, não teve maiores efeitos físico não. (Jornalista pergunta: “Mas isso foi antes da sua filha nascer?”) Antes da minha filha nascer. Tanto é que eu fiquei com muito medo quando minha filha nasceu, de perder. Mas, todas minhas amigas que vi passar por experiência assim entraram chorando e saíram chorando." (Jornalista pergunta: “A senhora é contra criminalizar isso?”) "Eu acho que, o aborto, do ponto de vista de um governo, é uma questão não é de foro íntimo, é uma questão de saúde pública. E que você não pode hoje segregar mulheres e deixar que certos métodos, que hoje são encontrados na população de mais baixa renda, você vê uma porção de gente, principalmente nos grupos de mulheres você vê essa conversa muito forte... O uso da tal das agulhas de tricô, aquelas compridas, o uso de chás absurdos, o uso de métodos absolutamente medievais... Enquanto isso segmentos, há uma certa falsidade social, que as mulheres de mais alta renda vão para hospitais, clínicas privadas ou qualquer coisa assim e lá fazem o aborto. Então acho que, do ponto de vista de um governo, não é uma questão e não pode ser tratada como questão de foro íntimo. É uma questão necessariamente de saúde pública e tem de ser seriamente conduzida desse jeito." (Jornalista pergunta: Como a senhora vê um ex-ministro da Saúde se posicionando tão veementemente contra o aborto?) "Contra? Mas contra em que nível? No pessoal dele ou no atendimento a uma pessoa a uma pessoa que está tendo um... Porque tem que distinguir isso. Não estou discutindo aqui a posição individual de ninguém e acho estranhíssimo alguém falar assim: ‘eu acho que o aborto é ótimo’. Eu olho com... Porque não é. Você entende. É bom falar isso se não é seu corpo. Agora, uma coisa é isso. Outra coisa é enfrentar a realidade que existe. E a realidade que existe é essa que eu estou dizendo: uma parte da população não tem acesso a esse serviço." (Jornalista pergunta: “A senhora é legalmente a favor de uma legislação que não criminalize o aborto?) "Que obrigue a ter tratamento para as pessoas para não correr risco de vida igual os países desenvolvidos do mundo inteiro.” (Jornalista pergunta: “Tratamento pós-aborto, não? Ou atendimento público para quem quer abortar?). “Para quem estiver em condições de fazer o aborto, ou querendo fazer o aborto ou precisando. Acho que tem que ser tratado com uma questão de saúde pública.”(Jornalista pergunta: E a posição da Igreja Católica?) "Eu entendo perfeitamente, acho que ela, a Igreja Católica, vivemos em uma democracia, tem absoluto direito de externar sua posição.”
- Revista IstoÉ
(Observação: este trecho não está publicado na íntegra na revista, mas o áudio estava disponível nesta quinta-feira, 7, e oG1 fez a transcrição.)
- Revista IstoÉ
(Observação: este trecho não está publicado na íntegra na revista, mas o áudio estava disponível nesta quinta-feira, 7, e oG1 fez a transcrição.)
12 de maio - “Aborto é uma coisa que nenhuma mulher defende, ninguém fala ‘eu quero fazer aborto’. Não é uma questão de foro íntimo, meu seu, da igreja, de quem quer que seja. É algo que eu acredito que é política de saúde pública. Acho que a legislação brasileira nesse ponto é muito clara.”
- Painel RBS
- Painel RBS
1º de outubro - “Nunca escondi que acho que a questão do tratamento das mulheres, principalmente das milhares de mulheres pobres que recorrem ao aborto, não é uma questão de polícia, é de saúde pública.”- Entrevista coletiva no Rio de Janeiro
24 de setembro - “Eu também tenho uma posição clara em defesa da vida. Nós seres humanos temos que respeitar, temos que honrar e sobretudo temos que perceber a dimensão transcendente dela. Por isso, eu não acredito que mulher alguma seja favorável ao aborto. O aborto é uma violência contra a mulher. Eu pessoalmente, não sou favorável ao aborto. Como presidente da República, eu terei, se eleita, que tratar da questão das milhares de mulheres pobres desse país que usam métodos absolutamente, eu diria assim, bárbaros, e que correm sistematicamente risco de vida. Elas tem que ser protegidas. E é nesse sentido que eu falei sempre que isso é uma questão de saúde pública. Não é uma questão que pode confundir-se com a minha opção por um processo de favorecimento do aborto. Não acho que isso resulte em nenhum benefício para a sociedade. Agora, considero também que a legislação vigente já prevê os casos em que o aborto é factível e eu não sei se acho que seria necessário ampliar esses casos. Não vejo muito sentido.”- Debate na CNBB/Rede Vida
29 de setembro - “Sou a favor da valorização da vida. Eu já disse no debate da CNBB que sou pessoalmente contra o aborto. É uma violência contra a mulher”- Após encontro com religiosos
7 de outubro - "Eu sou contra o aborto porque o aborto é uma violência contra a mulher. Não acho que nenhuma mulher seja a favor do aborto. Como presidente da República, eu tenho de encarar o fato que há milhares de jovens, de adolescentes, que, diante do aborto, desprotegidas, fazem e adotam práticas, por que elas estão abandonadas"- Em entrevista coletiva em Belo Horizonte
Para ver a matéria na íntrega CLIQUE AQUI

6 comentários:
Caro Milton, como jornalista seria interessante colocar os dois lados da moeda.
O seu candidato, José Serra, nesse VÍDEO fala algo que hoje ele nega:
http://www.youtube.com/watch?v=vpp_ISn5wDA
Depois vivemos em uma Democracia e não em uma Teocracia, até aonde eu sei nosso estado é laico, e religião deveria ficar fora de pautas políticas. Por isso o Estado é LAICO.
Abraço,
Querido anônimo que não tem coragem de se identificar, que pena.
Não era nem para lhe responder, mas como você deixou o endereço do vídeo do Youtube eu não vou tirar, resolvi lhe responder.
PORQUE vocês não deixaram o vídeo completo? A própria matéria do G1 deixa claro que nessa ocasião ele se equivocou e no momento seguinte se corrigiu. VOCÊS trucaram o vídeo e agora querem desmoralizar aqueles que se manifestam? Não façam isso!
Milton,
Te respeito como formador de opinião e se me identifico como ânonimo é porque seu blog assim o deixa.
Mas não seja alienado.
http://www.youtube.com/watch?v=jVWftM-2PRM
Depois de assistir este vídeo, e voce me citar G1, Veja como fontes fidedignas então perco a fé em sua classe.
Abraço.
Meu querido anônimo: Cometes um erro ao me apresentar este vídeo porque eu não estou discutindo campanha e nem dizendo ser o Serra o melhor candidato para o Brasil. O que eu estou mostrando é que a Dilma não me parece confiável, e pronto. Ela mudou de opinião, sim e não quer dizer isso ao Brasil.
E mais, você acusa G1 e Veja de parciais e me apresenta como prova disso o R7 da RECORD, do Bispo Macedo, ehhhhhhh... gozação né????
Menos, menos.
Outra coisa, a partir de agora só com OpenID e não adianta arrumar um nome falso porque se não tiver registro de conta de email ou url verdadeira, sou sacar o comentário.
A Dilma mente muito isso é fato. O Serra gasta uma fortuna pra montar uma favela cenográfica com atores negros contratados pra fingir que gosta de pobre, enquanto manda a tropa de choque "dialogar" com os professores que são responsáveis pela educação dos favelados de verdade. Professores estes que se submetem as piores e mais estressantes condições de trabalho por um salário que é nítidamente ridículo. Isso é só um exemplo de como o Serra é tão mentiroso e hipócrita quanto a Dilma. Depende da tendência política do canal de mídia que você lê. O que acontece é que independente do time que eles joguem, todos falam de podres reais do candidato rival assim como omitem do seu próprio.
Se não é uma questão ideológica e você não quer parecer a favor desse ou daquele candidato, por favor use este espaço para falar dos podres do Serra selecionando os mais importantes da lista imensa que você encontra numa simples busca de internet. E não estou falando de boatos de corrente de email, mas registros de incoerência política. Você pode até usar o mesmo título que se encaixa perfeitamente. Assim você também estará sendo coerente com o seu próprio texto sem parecer hipócrita como a Dilma e o Serra. Sim! Os dois são mentirosos e qualquer um que pesqise a história deles vai ver que ambos têm suas contradições e nenhum é confiável.
Muito tendenciosa essa matéria:
1:Algumas fontes são dubitáveis.
2:Não vejo contradição em defender a "descriminalização" do aborto e defender a vida ao mesmo tempo. Note que, opiniões técnicas e convicções pessoais não fazem parte do mesmo sistema lógico.
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