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sexta-feira, novembro 25, 2011

"Ele não é um velhinho Hippie"

Documentários costumam informar ao espectador, por meio de legendas, quem são os personagens que surgem na tela dando depoimentos. Eventualmente, há datas dando conta de quando se passam os episódios reproduzidos, sobretudo se são imagens de arquivo. Não é o caso de “Evoé! Retrato de um antropófago”, filme sobre José Celso Martinez Corrêa, de 74 anos. Essa opção, de acordo com Tadeu Jungle, codiretor do longa, é deliberada. “A nossa tarefa é iluminar Zé Celso", explica Jungle, para quem o retratado "não é um velhinho hippie". "Traduzi-lo não era o caso. Se fossem colocadas legendas, nomes e datas, as pessoas ficariam tentando procurar relações.”

Zé Celso é o protagonista do documentário "Evoé! Retrato de um antropófago" (Foto: Reprodução)
Para ilustrar a proposta, Jungle cita uma passagem que, em princípio, tem confundido os que já viram o filme, que estreia nesta sexta-feira (25). Existe um momento no qual aparecem pessoas chorando, no que parece um velório. “Quem assiste fica se perguntando: ‘O que aconteceu, quem morreu?’”, exemplifica o diretor. A dúvida toma corpo porque se misturam ali cenas de uma versão de “Hamlet” feita, muito tempo atrás, pelo Teatro Oficina, fundado por Zé Celso no final dos anos 1950.
Ao longo das últimas décadas, atribuiu-se a Zé Celso a reputação de homem polêmico, e isso está em “Evoé!”. Um registro recente, feito na Grécia, o mostra dançando despido, com uma espécie de máscara de touro na cabeça. Também estão no filme instantes elementares da trajetória desta figura central do teatro brasileiro, notadamente as encenações de “O rei da vela” (1967), “Roda viva” (1968), “As bacantes” (1996), “Cacilda!” (1998) e “Os sertões” (de 2001 em diante).
Jungle, que codirige o filme com Elaine Cesar, é admirador assumido de Zé Celso. “Várias pessoas pra quem eu falo dele comentam: ‘É aquele doido...’. Mas a maluquice do Zé é uma maluquice divina. O cara está trabalhando desde a década de 60, olha o currículo do cara e vê o que ele fez.” O argumento do diretor segue contrapondo-se ao discurso geral. “As pessoas dizem: ‘Lembra como a gente achava que era possível fazer o mundo, lembra quando tinha corpo, fumava baseado, tomava chá de cogumelo?’. Não é que o Zé continue nesse mundo – o Zé é o mundo em si. Ele não é um velhinho hippie.”

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