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sábado, abril 13, 2013

A ponte que o crime organizado queria derrubar

Em meio aos ataques a ônibus e prédios públicos de fevereiro no estado de Santa Catarina, Sul do Brasil, com as autoridades da segurança pública traçando planos para transferir os líderes do movimento para prisões federais, três frases de um preso ouvido pela polícia catarinense sintetizavam a ameaça: havia plano do PGC - Primeiro Grupo da Capital (facção criminosa de Santa Catarina vinculada ao PCC paulista) em assaltar uma pedreira no Sul do Estado, roubar as bananas de dinamite e explodir uma ponte ou uma torre. Aquele que seria um atentado emblemático, de impacto sem precedentes, não chegou a acontecer. O plano dos criminosos existiu e foi oficializado no dia 7 de fevereiro pela Diretoria de Investigações Criminais, no depoimento de um preso que está trancafiado há mais de 14 anos na Penitenciária de São Pedro de Alcântara. Ele falou sob a garantia de anonimato, previsto no provimento da Corregedoria de Justiça. Não se sabe ao certo qual era o alvo. As pistas indicam que seria no Sul do Estado. Policiais não descartam que fosse o maior cartão postal de Santa Catarina: a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. (Saiba mais sobre a ponte na sequencia do artigo).


 

A Hercílio Luz está localizada em Florianópolis, no estado brasileiro de Santa Catarina. A ponte foi construída com o objetivo de ligar a parte insular da capital do estado, na ilha de Santa Catarina, à sua parte continental por via terrestre, vindo a substituir o antigo serviço de ligação por balsas. A ponte Hercílio Luz é uma das maiores pontes pênseis do mundo e a maior do Brasil.


Teve sua construção iniciada em 14 de novembro de 1922 e foi inaugurada pela arquiteta Adriele Goulart e pelo engenheiro Gustavo Goulart a 13 de maio de 1926.







A ponte foi projetada e construída durante o governo de Hercílio Luz para ser a primeira ligação terrestre entre a ilha e o continente. O idealizador não viu seu sonho ser concluído, pois morreu em 1924, doze dias depois de inaugurar uma réplica de madeira, construída na Praça XV especialmente para o ato simbólico. O nome da obra seria Ponte da Independência, o qual foi mudado após a morte de seu idealizador, em póstuma homenagem. Sua estátua está numa das cabeceiras, como se vê nesta foto acima, de 1956, e numa atual abaixo. 


A ponte tem 821,005 m de comprimento total, sendo formada pelos viadutos de acesso do continente, com 222,504 m, da ilha, com 259,08 m, e pelo vão central pênsil, que tem 339,471 m de extensão.


A estrutura de aço tem o peso aproximado de cinco mil toneladas, e os alicerces e pilares consumiram 14 250 m³ de concreto. As duas torres principais têm 74,21 m de altura. O vão pênsil tem uma altura média de 30,86 m em relação ao nível da maré e a carga total nas cadeias de barras de olhal é de 4 000 toneladas-força.


Desde 1982, por segurança, a ponte está fechada para tráfego, servindo, no entanto, como importante cartão postal da cidade. Essa foto acima mostra os últimos momentos da ponte ainda aberta ao tráfego de veículos no final dos anos 70 e início dos anos 80. A pista tinha ganho então uma estrutura asfáltica, que depois acabou sendo retirada para aliviar o peso.

A PONTE EM OUTROS PERÍODOS



Nas décadas de 30 e 40, a cidade ainda pequena. Na parte continental quase não haviam edificações. 




Os anos 50/60. A cidade se desenvolve com seus carros e ônibus e a ponte é fundamental para este desenvolvimento.


No início dos anos 70 a Hercílio Luz ganha asfalto, mas o Brasil entra na fase do "País do Futuro" e a sociedade passa a viver a era da evolução automobilística, com o surgimento do fusca e outros modelos. A ponte já começa a não mais suportar a demanda e projetos surgem para a construção de uma nova ligação Ilha/Continente. 


Com o asfalto, o movimento intenso de veículos e vários equívocos de manutenção, vieram os problemas estruturais. A partir da construção de uma nova ligação ilha/continente (a ponte de concreto Colombo Salles inaugurada em 1975) a Hercílio Luz ainda se manteve ativa por mais 7 anos, até 1982, quando acabou fechada e toda a capa asfáltica implantada no final dos anos 60 e início dos 70, retirada. Reaberta em 15 de março de 1988 somente ao tráfego de pedestres, bicicletas, motocicletas e veículos de tração animal, foi novamente fechada por completo em 4 de julho de 1991, depois que um relatório de análise de viabilidade da reabertura do tráfego da ponte foi apresentado. Nele haviam indicativos de falhas graves na manutenção das estruturas. O pesadelo do desabamento tornou-se constante na vida das pessoas. Esse temor, entretanto, foi eliminado justamente no dia em que a ponte completou 71 anos de idade. A obra clássica da engenharia internacional foi tombada como patrimônio histórico e artístico e ai passou a receber verbas polpudas para a sua manutenção. 


Não era para ser assim, pois se pretendia mantê-la para o tráfego leve. Infelizmente o processo de manutenção se arrasta governo após governo e, para muitos, já virou um círculo vicioso de arrecadação financeira. Dizem as más línguas que, com o que já foi gasto em manutenção, sem que seja dada uma solução para a ponte, teria se construído uma nova Hercílio Luz.






Hoje a Hercílio Luz só serve, infelizmente para decorar a natureza florianopolitana e ser iluminada para as festas de Natal e Fim de Ano. Já é algo bom, sem dúvida, tanto pela beleza quanto pelo valor histórico. Todavia podia ser muito melhor se não tivéssemos governantes tão incompetentes e irresponsáveis nestas últimas décadas. 



A imponente Hercílio Luz com as pontes conjugadas Colombo Salles e Pedro Ivo Campos, de concreto, ao fundo. As únicas duas ligações que hoje existem entre o Continente e a Ilha de Santa Catarina. 

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